Extinção de Freguesias

A Direcção Regional de Vila Real do PCP, face á pretensão do Governo quanto á extinção de Freguesias, afirma que: a ser aplicada a lei que está em discussão, esta representará um grave atentado contra o poder local democrático, os interesses das populações e o desenvolvimento local.

Ao contrário do anunciado «reforço da coesão», o que daqui resultaria seria mais assimetrias e desigualdades. Juntar os territórios mais fortes, mais ricos ou com mais população com os mais fracos ou menos populosos – em áreas urbanas ou rurais – traduzir-se-ia em mais atracção para os primeiros (os que sobreviverão como freguesias) e mais abandono dos segundos (os que verão as suas freguesias liquidadas). Ou seja, mais abandono, menos investimento local, menos serviços públicos, menos coesão para quem menos tem e menos pode.

Afirmamos que, qualquer reforma administrativa do território que se pretendesse séria, deveria ao contrário da liquidação de centenas de freguesias, criar as condições e afectação dos meios indispensáveis ao exercício das atribuições e competências, que hoje lhe são negados, e ao mesmo tempo concretizar a regionalização como a Constituição da República determina, indispensável a um processo de descentralização que se pretenda coerente, a uma reforma da administração pública racional, ao desenvolvimento económico regional e à defesa da autonomia municipal.

As freguesias representam em termos do Orçamento do Estado – 0,1% do total – e em nada contribuem para a dívida pública, pelo que fica mais clara a intenção do governo – atacar o poder local e os direitos das populações ao bem-estar e à satisfação das suas necessidades locais.

A liquidação de centenas de freguesias representará um enorme empobrecimento democrático (traduzido na redução de mais 20 mil eleitos); enfraquecimento da afirmação, defesa e representação dos interesses e aspirações das populações que a presença de órgãos autárquicos assegura; o aprofundamento das assimetrias e perda de coesão (territorial, social e económica), o abandono ainda maior das populações, o acentuar da desertificação e, ainda, mesmo que o neguem, um ataque ao emprego público (milhares de trabalhadores das freguesias extintas cujo destino futuro será o despedimento ou a mobilidade).

Por tudo isto, julgamos que é tempo de este governo parar com o processo de liquidação de Freguesias e olhar para estas com o respeito que merecem!

A Direcção da Organização Regional de Vila Real do PCP

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Intervenção de Jorge Humberto, Membro da Direcção da Organização Regional de Vila Real e do Comité Central do PCP.

O nosso Distrito perdeu nesta primeira década do Século XXI tanta população como nas quatro décadas anteriores. Esta tendência é consequência da falta de investimento em sectores produtivos como a Agricultura e a Industria e da política de destruição de serviços. Situação que tem contribuído para: a redução do emprego, a emigração de jovens, a quebra acentuada dos rendimentos das populações, o aumento da pobreza e para as dificuldades crescentes no acesso à saúde, à educação e à segurança social.

O desemprego assume, uma dimensão avassaladora e trágica: são mais de 14 mil trabalhadores desempregados (17%), em resultado do fecho nos últimos 4 anos de 6000 empresas de Comércio e Industria, mas também do abandono de explorações agrícolas.

O governo de uma forma cega, fechou 442 Serviços Públicos, (381 escolas, 10 Postos de Correios, 45 Extensões de saúde, 1 Bloco de Partos, e 5 Tribunais). A introdução de Portagens nas SCTU’s, originou enormes prejuízos às economias locais, onerando as empresas e populações, com consequências ao nível do Turismo e do emprego, na desertificação e despovoamento. Nós alertámos. Nós Lutámos, desde o primeiro momento.

Hoje, o PS, o PSD e o CDS, já nem se atrevem a falar em discriminação positiva. É preciso fazer sacrifícios, dizem eles, então há que fechar mais serviços públicos, porque os tempos são de crise. Temos combatido esta ladainha, com as forças que temos. As políticas conduzidas pelos sucessivos governo, sacrificaram a Agricultura e quase extinguiram a Indústria, contribuindo para uma violenta acentuação das desigualdades e injustiças sociais: A diminuição do poder de compra (67% da média nacional) e a baixa dos salários (83% da média nacional).

O Mundo rural, a pequena e média agricultura e a agricultura familiar, estão a braços com graves dificuldades. Os rendimentos dos Agricultores diminuem a cada dia que passa, espremidos entre o aumento especulativo dos custos dos factores de produção, para o qual também contribuiu o aumento dos impostos, os cortes nos apoios ao investimento e o esmagamento dos preços à produção.

Camaradas, continuamos a afirmar com optimismo, que o nosso Distrito tem recursos que permitem relançar o seu desenvolvimento económico e social. É preciso uma política que corrija as desigualdades e injustiças sociais, é preciso recentrar o desenvolvimento nas pessoas, pôr a Região a Produzir e distribuir a riqueza criada de uma forma mais justa para os que trabalham.

São indispensáveis políticas de investimento, que estruturem o território, combatam o despovoamento e a desertificação e reduziam os elevados níveis de desemprego. Garantir uma vida digna às populações, defender os seus direitos, acabar com a degradação económica e social é um caminho pelo qual continuaremos a Lutar e do qual não abdicaremos.

 

VIVA XIX CONGESSO DO PCP!

VIVA O PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS!

 

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Encerramento do XIX Congresso do PCP

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, Almada, XIX Congresso do PCP

Camaradas delegados
Estimados convidados

Eis-nos chegados ao limiar do encerramento do XIX Congresso.

Para aqui chegar tivemos de percorrer desde Fevereiro, um processo que envolveu largos milhares de militantes e amigos do Partido, que mobilizou todas as organizações partidárias de Norte a Sul do Continente, das Regiões autónomos dos Açores e da Madeira e na Emigração num total de 1257 reuniões, debates e assembleias electivas onde participaram mais de 18000 militantes, contando com as contribuições individuais de camaradas que recorreram à tribuna aberta do Avante e a via electrónica, da qual resultaram cerca de 1900 propostas, sugestões e reflexões para o Projecto de Resolução Política e mais de 600 em relação ao Programa do Partido, muitas delas acolhidas nos respectivos
projectos. Feita a discussão, realizadas as votações da Resolução Política, das alterações ao Programa e aos Estatutos, e a eleição da Direcção e do órgão de jurisdição, este congresso construiu e afinou as ferramentas, tem os obreiros – os militantes, as organizações e a direcção do Partido.

Importa agora prosseguir a edificação da obra: reforçar o Partido, alargar e intensificar a luta, afirmar a necessidade e a possibilidade da política alternativa patriótica e de esquerda, cimentar e construir uma alternativa política capaz de a concretizar. Aqui actualizamos e reafirmamos o nosso inquebrantável compromisso com os trabalhadores e o povo português, de com eles lutar por um Portugal com futuro, democrático e de progresso, por uma pátria livre e soberana.

Aqui declaramos e inscrevemos que, na luta por uma democracia avançada, os valores do Abril no que foram de conquista, liberdade, transformação, realização, participação e revolução, nem que fossem (e nós faremos para que não sejam) destruídos, serão sempre parte integrante do nosso ideal comunista e do nosso projecto de construção do socialismo.

Permitam-me duas observações relativas ao funcionamento e aos conteúdos do nosso Congresso:

Os delegados ao XIX Congresso a sua presença permanente dignificaram e assumiram por inteiro o mandato que lhes foi atribuído. E não foi um acto forçado por disciplina. Foi um acto de consciência livre e responsável de respeito por quem os mandatou. Não menos relevante foi a presença de convidados.

Também este Congresso, o seu funcionamento e participação demonstraram que os Partidos não são todos iguais.

Sobre as intervenções não tivemos aqui o desfile de palavras a pensar num tempinho de glória de surgimento na televisão. Não tivemos a moção do chefe, do candidato a chefe, do candidato a candidato a qualquer coisa, porque não há chefe e a moção e a resolução são do Partido e resultam da opinião e contribuição colectiva. Intervenções ligadas à vida, conhecedoras da realidade nas empresas e nos locais de trabalho, nos sectores que vieram falar dos problemas e das aspirações dos trabalhadores, dos agricultores e pequenos empresários, da juventude, dos intelectuais, dos reformados e pensionistas, dos lutadores que vieram falar da luta, dos especialistas dos homens e mulheres de saberes, da experiência própria, que vieram falar da política económica, da saúde, da educação, da segurança social, da água pública, do valor do trabalho, da cultura e da produção nacional. A pensar no País, todos tendo como fio condutor o reforço do Partido, da sua organização, da sua influência social, política e eleitoral.

Sim, é verdade que não haverá eco nos meios de comunicação social dominante. Mas posso afiançar-vos que a riqueza da análise, as experiências criativas de reforço do Partido, da proposta, para além da sua tradução e expressão nos documentos serão parte integrante do nosso património de ideias, análise e propostas do Partido, e elementos para acerto da orientação, acção e iniciativa.

Falámos de nós, da nossa vida partidária mas nem aí estabelecemos fronteiras com os problemas dos trabalhadores e do povo e da sociedade. Um congresso virado para fora.

Aqui afirmamos o nosso combate mais imediato e urgente e contra esta política de desastre nacional e o seu executor o Governo PSD/CDS-PP.

Partindo da realidade nacional, do aumento da exploração dos trabalhadores, da pobreza, das injustiças, do desemprego, da ruína de pequenos agricultores, comerciantes e industriais, do défice, da dívida insuportável da destruição das funções sociais do Estado, de alienação da nossa soberania nacional, responsabilizando a política de direita. Considerámos que a rejeição do chamado memorando das troikas (que caracterizámos e bem como um verdadeiro Pacto de Agressão) deve ser rejeitado, que é necessária uma ruptura e uma mudança de política.

Não nos limitámos à crítica, à luta contra. Temos uma proposta política alternativa que numa síntese das sínteses propõe:

1º Resgatar Portugal da teia de submissão e dependência.

2º Recuperar para o país o que é do país: os seus recursos, os seus sectores e empresas estratégicas, o seu direito ao crescimento económico e ao desenvolvimento e à criação de emprego.

3º Devolver aos trabalhadores e ao povo os seus salários, rendimentos e direitos sociais, tendo com objectivo uma vida digna.

Um povo com direito à saúde. Um povo com direito à educação. Um povo com protecção social.

É necessária e urgente uma outra política e um outro governo. E esse é o primeiro apelo deste Congresso.

A todos os trabalhadores, a todas as classes e camadas antimonopolistas, a todas as forças políticas, patrióticas e de esquerda, a todos os democratas, a todos os cidadãos inquietos e indignados com este rumo de desastre nacional para que convirjam no objectivo de pôr fim a esta política.

Este governo já não tem a base social de apoio que tinha há um ano e meio. Terá legalidade mas já não tem legitimidade para prosseguir a sua obra destrutiva porque mentiu, rompeu o compromisso que estabeleceu com muitos dos seus votantes, porque está a tornar num inferno a vida de milhões de portugueses desempregados, empobrecidos, arruinados, porque a sua opção é servir apenas os poderosos, o capital financeiro e os grandes grupos económicos, custe o que custar.

É um governo que já é passado. Demore o tempo que demorar não tem futuro e será derrotado. E quanto mais depressa fôr demitido mais se reforça a esperança que ainda estamos a tempo de travar e inverter este caminho.

Daqui releva uma questão crucial que é a construção de uma verdadeira alternativa e como é que ela se concretiza.

A nossa Resolução Política define orientações e tem um rumo, a necessidade do reforço do PCP e a alteração da relação de forças no plano político, o desenvolvimento, a intensificação e alargamento da luta.

Tratando-se de uma alternativa patriótica e de esquerda a encontrar no plano institucional, há uma questão primeira que é incontornável. É o de se saber se uma força política como o PCP, que de forma coerente e consequente defende valores, causas e um projecto de esquerda, deveria abdica deles, e se o PS, comprometido com a política de direita, com os interesses do capital, comprometido e «abaixo-assinante» do Pacto de Agressão, assim se deveria manter tal como está. O PS não dá resposta à contradição fundamental que é a de saber se é possível uma alternativa verdadeiramente de esquerda, mantendo-se comprometido e identificado com a política de direita em questões estruturantes.

Nós dissemos e dizemos que não renunciamos à convergência, ao diálogo com forças e sectores democráticos em tudo o que for bom para os trabalhadores, para o povo e para o país. Mas ninguém peça ou exija ao PCP que deixe de ser o que é, que deixe de falar verdade, que deixe de lutar por outra política, que rompa com esta estafada alternância. Este Partido fundou-se e existe, lutou e luta para servir os trabalhadores e o povo português, os seus interesses e aspirações. Será pela sua vontade e apoio que estaremos numa solução alternativa. E não por arranjos de poder que nos exijam deixar de ser o que somos, de defender o que defendemos.

Fartos de serem enganados e de troca-tintas estão os portugueses.

No apelo que fazemos a que se juntem a nós na luta, também no voto damos garantia. Esse apoio, essa luta, esses votos não serão traídos. Serão sempre respeitados.

Aqui estamos prontos para as tarefas e batalhas que aí estão e aí vêm.

Munidos das nossas propostas. Assumindo que os comunistas estarão na linha da frente da luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos reformados e pensionistas, de todas as classes e camadas antimonopolistas.

Aqui estamos sem dar tréguas a esta política e a este governo que fugindo para a frente se prepara para aplicar um novo e rude golpe nas funções sociais do Estado, na democracia, na Constituição.

Daqui partimos em melhores condições par travar qualquer batalha eleitoral e particularmente as eleições autárquicas a exigir um forte empenhamento do conjunto das organizações do Partido, para, lado a lado com os nossos parceiros de coligação, o Partido Ecologista os Verdes e a Intervenção Democrática, lado a lado com milhares de cidadãos e democratas independes, afirmar a CDU e o PCP como grande força autárquica, lado a lado com milhares de cidadãos e democratas independentes, afirmar a CDU e o PCP como grande força autárquica com um grande peso e uma influência correspondentes ao valor do seu trabalho e do seu prestígio conquistado pela obra, pela honestidade e competência.

Daqui saímos com a afirmação confiante que o povo e o país não estão condenados por qualquer cataclismo, praga natural, má sorte ou fatalidade. Praga é a política de direita e essa pode ser erradicada por força da luta do trabalhadores e do povo.

Camaradas

Reafirmámos o nosso carácter patriótico e internacionalista. A centralidade que damos à luta no campo nacional não é por qualquer concepção isolacionista e porque não entendamos da necessidade de respostas mais largas e mais globais a um processo de globalização capitalista.

Pensamos que a melhor contribuição para o desenvolvimento da solidariedade e cooperação internacionalistas, a melhor e mais realizadora forma para fazer frente à ofensiva imperialista é lutar aqui no nosso país. Tal facto não subestima nem significa menos empenhamento na luta contra o capitalismo e o imperialismo. Naturalmente priorizamos os nossos esforços no reforço do movimento comunista internacional. Com a agudização da luta de classes os partidos comunistas são mais precisos do que nunca na medida em que essa luta de classe é a grande questão da nossa época contemporânea.

Mas reafirmámos aqui a nossa admiração e a dimensão solidária com os povos e a luta dos trabalhadores, as heroicas afirmações da luta dos povos frente ao imperialismo em defesa da sua soberania, desse direito inalienável de poderem traçar e construir o seu devir colectivo.

Reafirmámos aqui a nossa solidariedade do povo e à revolução cubana, ao povo mártir da Palestina, aos partidos e movimentos de libertação, aos milhões de seres humanos que à escala planetária demonstram uma vontade inabalável do mundo mais justo, mais seguro e democrático e a profunda convicção que o capitalismo não será o fim da história da humanidade, que há alternativa: o socialismo.

A todas as delegações e representações internacionais uma saudação solidária dos comunistas portugueses aos vossos partidos e organizações, aos vossos povos e digam-lhes que nas horas boas e nas horas más, nas vitórias e nas derrotas, aqui em Portugal contam com esta força solidária, este Partido Comunista Português.

Camaradas:

Temos orientações, tomámos deliberações, afirmámos um Partido de luta, de proposta, de projecto.

Aprovámos alterações ao Programa do Partido. Alterações e actualizações que não alteram a matriz do nosso programa de uma democracia avançada como etapa sem perder de vista o objectivo supremo do socialismo e o comunismo.

Este Congresso confirma a decisão de realizarmos no ano de 2013 as comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, de homenagem ao homem, ao comunista, ao intelectual, ao artista que, com o seu pensamento e acção política, a sua história pessoal de combate pela liberdade, a democracia e o socialismo é uma referência incontornável para os comunistas mas também para todos os que se inquietam com os problemas da sociedade, a regressão social e civilizacional.

Lembramos e honramos a nossa história. Mas projectamos nessas comemorações os seus ensinamentos, a sua obra, o seu exemplo a pensar no futuro.

Camaradas

Por aqui perpassou a confiança.

Numa situação dura como punhos, quando os trabalhadores, o povo português e o país sofrem o vendaval destrutivo e arrasador da política de direita deste governo, nós afirmamos:

Nada está perdido para todo o sempre.

Quando os trabalhadores e as populações intensificaram e alargaram a luta, o governo abanou. Se essa luta crescer, o governo será derrotado. E contem com este Partido que, com ou sem eleições, nos momentos mais difíceis lá estará, sempre e sempre como força de combate, como força portadora da esperança e da alternativa, com a a convicção de que sim é possível uma vida melhor num Portugal com futuro.

Viva a luta dos trabalhadores e dos povos!
Viva a solidariedade internacionalista!
Viva a Juventude e a JCP!
Viva o XIX Congresso!
Viva o Partido Comunista Português!

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